Pro Pátria, Pro Deo et Pro Arte - desde 1941

MAESTROS DO CORO

SÉRGIO FONTÃO
(Dirige o coro desde Janeiro de 2004)

Iniciou os seus estudos musicais aos cinco anos, sob a orientação de seu pai. Posteriormente, frequentou a Escola de Música e Bailado de Linda-a-Velha e a Escola de Música do Conservatório Nacional, onde estudou Piano com Dinorah Cruz, Harpa com Fausto Dias, Percussão com Joaquim Galvão e Canto com Filomena Amaro, Liliana Bizineche, Joana de Quinhones-Levy e António Wagner Diniz.

Frequentou cursos de aperfeicoamento em Canto com Jill Feldman, Marius van Altena, Max von Egmond, Peter Harvey e Tom Krause, em Música de Câmara com Richard Gwilt, Ketil Haugsand, Peter Holtslag, Jonathan Manson e Rainer Zipperling, em Direcção Coral com Luc Guillore e Tonu Kaljuste e em Direcção de Orquestra com Robert Houlihan.

Integrou o corpo docente do V Curso de Direcção Coral e Técnica Vocal promovido pelo INATEL.

Como membro ou director de diversas formações vocais e instrumentais, realizou concertos em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Austria, Itália, Malta, Brasil, Argentina, Uruguai, EUA, Canadá, India, Japão e Macau. Participou, também, em espectáculos de ópera e teatro e efectou gravações para cinema, rádio, televisão e em disco, para as etiquetas Aria Music, Dinemec Classics, EMI Classics, Fnac Music, Milan, Movieplay Classics, Numerica, Philips, Sole mio, Strauss|PortugalSom, Virgin Classics e Virgin Veritas.

Entre os diversos agrupamentos com os quais tem colaborado, contam-se o Coro Gulbenkian, Coro de Câmara de Lisboa, Vozes Alfonsinas, Ensemble Barroco do Chiado, Ensemble Orphée et Cœtera, Concertus Antiquus, Coro Dom Luis I, Cantus Firmus, Syntagma Musicum e Camerata Vocal de Lisboa. Actualmente, dirige o coro Polyphonia – Schola Cantorum, o Coral Vertice e o grupo vocal Voces Cælestes.

Paralelamente à sua actividade como interprete, tem desenvolvido actividade nas áreas do jornalismo, da comunicação institucional, da edição de música impressa e da gestão de projectos culturais.

MANUEL TEIXEIRA
(Dirigiu o coro de 1982 a Janeiro de 2004)

Natural de Aveiro, ingressou como violinista na Orquestra Gulbenkian em 1965, tendo concluido o curso superior de violino do Conservatório Nacional no ano imediato. Como bolseiro da Fundação Gulbenkian prosseguiu a sua formação de instrumentista, tendo frequentado cursos de aperfeiçoamento artístico em Cascais, Siena (Itália) e Lucerna (Suiça), sob a orientação de professores como Pina Carmirelli, Margit Spirk, Sandor Vegh, Franco Gulli e Vladimir Sherklak.

Em 1976 iniciou os estudos de direcção de orquestra com o maestro Silva Pereira, de quem colhe preciosos ensinamentos e que o aconselha a ir para Berlim onde, em Outubro de 1977, mercê de bolsas atribuidas pela Fundação Gulbenkian e pela Secretaria de Estado da Cultura, prosseguiu os seus estudos na Fundação Herbert von Karajan, com o professor Herbert Ahlendorf, antigo assistente do maestro Furtwängler, os quais concluiu, em Julho de 1980, com alta classificação.

De regresso a Portugal, organizou a Orquestra de Câmara Pró-Música, com a qual realizou vários concertos no país e no estrangeiro, designadamente no festival Tartini, em Itália (1983) e nas cidades de Badajoz e Cáceres, em Espanha (1984 e 1985). Entretanto, em 1981, dirigindo a Orquestra de Câmara de Pádua, esgotou a lotação do Auditório Polini nos três concertos realizados. Por outro lado, apresenta-se regularmente à frente da Nova Filarmónia, Sinfónica Portuguesa, Orquestra do Norte, Orquestra das Beiras, Orquestra Gulbenkian e das Sinfónicas da R.D.P. de Lisboa e Porto, tendo com esta, e em colaboração com o Círculo Portuense de Ópera, realizado quatro representações da ópera "Orfeu", de Gluck.

Em 1986 e 1987 foi professor de violino e de viola e preparador da jóvem Orquestra da Estremadura (Espanha) com a qual se apresentou em quatro concertos no Festival Internacional de Múrcia.

Durante seis anos foi professor de violino em Espanha, possuindo o título de Professor Superior de Violino, conferido pelo Ministério da Educação e Ciência espanhol.

Em Agosto de 1990 estudou em Estugarda com o Maestro Helmutt Rilling na Academia Bach onde foi, entre os inúmeros candidatos, um dos pouco escolhidos para dirigir a "Paixão segundo S. João", de Bach.

É professor de violino na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa.

ANTÓNIO LEITÃO
(Dirigiu o coro desde 1974 até 1982)

Mestre de Capela do Seminário dos Olivais, cantor solista dos Coros Gulbenkian, onde trabalhou com Olga Violante, Pierre Salzmann, Jorge Croner de Vasconcelos e Michel Corboz.

Dirigiu Polyphonia Schola Cantorum, onde sucedeu a Mário de Sampayo-Ribeiro e José Augusto Alegria. Tem fundado e dirigido vários coros. Foi responsável pela música nas exéquias de Sá Carneiro, em 1980, e da música quando da visita do Papa a Portugal, em 1984.

Produziu para televisão o Requiem de Listz e gravou um LP de canto gregoriano e polifonia do século XVI. Integrou algumas comissões técnicas da ACAAL - Associação de Coros Amadores da Área de Lisboa.

É o dinamizador dos "Concertos das Últimas Sextas-Feiras" no Palácio da Independência (Lisboa), sob patrocínio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

À parte a sua actividade musical, António Leitão tem-se afirmado noutros campos da cultura: publicou livros de poesia e prosa, é colaborador da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura e da Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia.

Nota: estes apontamentos foram retirados do sítio da Câmara Municipal de Borba.

JOSÉ AUGUSTO ALEGRIA (cónego)
(1918-2004)
(Dirigiu o coro desde 1966 até 1974)

Nasceu em Évora (freguesia de S. Mamede), no dia 27 de Dezembro de 1917. Iniciou os estudos na Escola Salesiana (foi um dos dois primeiros alunos), continuando depois no Seminário de Évora.

Ordenado sacerdote em 1940, partiu para Roma onde se licenciou em musicologia no Pontifício Instituto de Música Sacra, como bolseiro do Instituto para a Alta Cultura. Regressado a Portugal, foi professor do Seminário Maior de Évora onde, durante 40 anos, se responsabilizou pela música coral nas celebrações litúrgicas da Sé.

Em 1958, centenário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes (França), com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, levou o Coro do Seminário Maior de Évora a participar no Encontro Internacional dos Coros "Pueri Cantores".

Leccionou Moral e Religião Católicas na Escola Industrial e Comercial e no Liceu de Évora sendo, ao mesmo tempo, capelão no Lar de Santa Helena (Calvário).

Pertenceu a várias agremiações culturais: "Consortiatio Internacionalis Musicae Sacrae", de Roma, "Pontifícia Academia Mariana Internacional", "Academia Portuguesa de História", "Sociedade Brasileira de Musicologia" e Doutor Honoris Causa pela Universidade Évora.

Durante muitos anos investigou a Escola de Música da Sé de Évora, publicando as obras de Frei Manuel Cardoso, Diogo Dias Melgaz e João Lourenço Rebelo, num total de 11 volumes de estante, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Subsidiado pelo Instituto para a Alta Cultura publicou as obras didácticas de Mateus de Aranda, datadas de 1533 e 1535.

É autor de vários estudos históricos, relacionados com a música, entre os quais:

  • Dicionário de Músicos Portugueses, manuscrito de José Mazza, dos Fundos da Biblioteca Pública de Évora, em separata da revista Ocidente, 1944-45.
  • Évora e a Cultura (História e a Vida), 1959.
  • Mateus de Aranda Mestre da Capela da Sé de Évora e Lente de Música.
  • História da Escola de Música da Sé de Évora, 1973.
  • Arquivo das músicas da Sé de Évora, catálogo, 1973.
  • Biblioteca Pública de Évora "Catálogo dos fundos musicais", Lisboa, 1977.
  • História da música da Capela e Colégio dos Santos Reis, de Vila Viçosa, 1984.
  • O ensino e prática da música nas Sés de Portugal, 1985.
  • O Colégio dos moços do coro do colégio dos Reis Magos de Vila Viçosa e respectiva Capela Ducal, 1987.
  • Catálogo dos fundos musicais da Biblioteca do Palácio de Vila Viçosa, 1989.
  • A música mariana portuguesa dos séculos XIX e XX, separata das actas do Congresso Mariano Internacional, celebrado no Santuário de Kevelar, Roma, 1989.
  • "La musique au Portugal à l'époque de D. João V", na edição monumental "Triomphe du Baroque", Europália, 1991.
  • "Pontifícia Academia Mariana Internacionalis", 1991.
  • O Colégio dos Moços do Coro da Sé de Évora, 1997.
  • As Cantigas d'Amigo e d'Amor dos cancioneiros Galego-Portugueses: Da origem poética à prática musical, patrocinada pela Universidade de Évora, 2000.
  • "Os frades de S. Francisco e a Música no Convento de Mafra", separata de ITINERARIUM - ano XCVII - nº 169, 2001.

Em 1985 recebeu o prémio de Ensaismo Musical, instituido pelo Conselho Português de Música, tendo como referência o seu livro "Polifonistas Portugueses".

Sucedeu a Mário de Sampayo Ribeiro na direcção do Coro Polyphonia, com o qual se deslocou a França e Inglaterra, na execução polifónica de Música Litúrgica de autores portugueses.

Foi colaborador da Enciclopédia Verbo e do Dicionário da História da Igreja em Portugal. De colaboração com o Cónego Dr. Sebastião Martins dos Reis, publicou "Problemas Eborenses: O Reitor do Liceu de Évora e Deputado por Évora, Dr. A. B. Gromicho contra o Liceu de Évora", "Recidivas do Deputado por Évora...contra o Liceu e contra a Universidade de Évora", 1957. Fez o levantamento do Arquivo de Música da Catedral de Évora, do Paço Ducal, de Vila Viçosa e da Bibliteca Pública de Évora. Participou activamente nas Semanas Gregorianas de Fátima, proferiu muitas conferências e escreveu inúmeros artigos em jornais e revistas sobre temas históricos e musicais. Faleceu em Évora, no dia 23 de Janeiro de 2004.

NOTA: Estes apontamentos foram extraidos do desdobrável publicado por ocasião da "Homenagem ao Cónego José Augusto Alegria" que teve lugar em Évora no dia 5 de Fevereiro de 2005.

MÁRIO LUIS DE SAMPAYO RIBEIRO
(1898-1966)
(Dirigiu o coro desde a fundação, em 1941, até 1966)

Natural de Lisboa, frequentou o Conservatório Nacional desta cidade. Foi Vice-Presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Presidente do Sindicato Nacional dos Músicos e Procurador à Câmara Corporativa na qualidade de músico e, em 1938, foi eleito sócio correspondente da Academia Portuguesa da História.

Autor de designadas "Achegas para a história da música em Portugal" e outros escritos, publicou/tratou em conferências:

"A Obra Musical do Padre António Pereira de Figueiredo" (1932) - I Achega "Damião de Goes na Livraria Real de Música" (1935) - II Achega "A Música em Portugal no século XVIII e no século XIX" (conferência publicada em 1938) "As guitarras de Alcácer e a guitarra portuguesa" (1936) - IV Achega "Presépios, Vilancicos de Barro, música do Natal Português" (1939) "Elogio Histórico de El-Rei Dom João, o Quarto" (1941) "El-Rei D. João IV, Príncipe-Músico e Príncipe da Música" (1956) "À margem do Cancioneiro de Manuel Joaquim" (cancioneiro do espólio da Biblioteca de Elvas).

"A Missa da Meia Noite do Ano de 1527, no Paço da Ribeira" (1941) "A Rainha de Lancastre e os Alvores do Teatro Português" (1959) "O estilo expressivo, raiz da Música polifónica portuguesa" - conferência (1943) "Uma nota ao Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, As trovas das pãcadas dos cantores lidas por um músico" (1946) "Frei Manuel Cardoso - Contribuição para o estudo da sua vida e da sua obra" (1961) - VI achega "El-Rei D. João e a Arqitectura em seu Tempo" (1946) "El-Rei D. João II e o Claustro da Manga do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra" (1958) "No Quarto Centenário da Morte de D. João III" (1557-1957), (1958) Foi criada, por sua iniciativa, a "Musicae Portugaliae Monumenta" onde, em 1958 foi publicada uma edição facsimilada do opúsculo "Respuestas a las dudas que se pusieron a la missa Panis quem ego dabo de Palestrina", e, em 1965, "Defença de la Música Moderna contra la errada opinion del Obispo Cyrilo Franco", ambos da autoria de El-Rei D. João IV.

Para dar seguimento lógico de resgatar, a todos os níveis, a música polifónica portuguesa, Mário de Sampaio Ribeiro acalentava o desejo de dispor de um grupo coral que lhe permitisse mostrar directamente ao público a harmonia dos sons dessa mesma música. Esse desejo concretizou-se em 1941 com a fundação do coro Polyphonia Schola Cantorum, por iniciativa de Olga Violante, Sara Navarro Lopes, Dr. João António da Silva Santos e Sebastião Cardoso. Como consta dos seus estatutos, o coro "tem por fim principal a propagação (seja pela execução, seja pela edição ou pela gravação fonográfica) da obra dos grandes mestres portugueses dos séculos XVI e XVII e a sua actuação deverá ter sempre em vista o prestígio mundial da cultura portuguesa". O coro era, na altura, único em Portugal com tais propósitos e obteve assinalável êxito em todas as suas apresentações; nomeadamente recebeu um louvor do Senado Universitário de Coimbra.

Em 1947 Mário de Sampaio Ribeiro foi convidado para dirigir o recém-criado Coro Universitário de Lisboa (mais tarde designado pelo seu nome actual de Coro da Universidade de Lisboa) com o qual se apresentou, nomeadamente, em Bruxelas na Exposição Internacional de 1958, e em Paris com gravações de música popular portuguesa despertando a curiosidade de musicólogos eminentes, entre os quais Jacques Chailley.

Por determinação do então Ministro da Educação Nacional, Prof. Francisco Leite Pinto, recebeu em 11 de Março de 1959, as insígnias de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada. Na década de 40, com o editor Manuel Calarrão, lançou no mercado a coleccção "Ópera" da qual sairam a público 84 números, ou seja, a descrição histórica e o resumo dos libretos de outras tantas óperas com indicações dos principais intérpretes que as cantaram em S. Carlos ou no Coliseu de Lisboa. Com as segundas e terceiras edições de alguns desses cadernos atingiu-se o número de 106, pequenos volumes que totalizaram mais de 6000 páginas.

Paralelamente e, saindo do reportório do Polyphonia, teve a preocupação de prestar aos coros portuguses o serviço de lhes fornecer música portuguesa, religiosa e popular, com a edição dos Cadernos Azuis e Amarelos iniciando ainda a edição de folhas soltas com composições dos nossos polifonistas, destinadas ao mercado internacional.

NOTA: Estes apontamentos biográficos foram "respigados" duma publicação da Academia Portuguesa da História, intitulada "MÁRIO DE SAMPAIO RIBEIRO: O MUSICÓLOGO E O HISTORIADOR DA MÚSICA EM PORTUGAL" - Alocução pelo Académico Correspondente José Augusto Alegria, datada de MCMLXXXVII.